Artigos

Sustentabilidade Empresarial e Impactos Socioambientais

A compreensão da necessidade de fazer uma gestão com enfoque no potencial dos recursos naturais, com os cuidados de preservação, é impactante para os modelos de gestão empresarial atuais. Fazer uma gestão perene é um suporte para a elaboração de políticas funcionais que beneficiem os componentes fundamentais de estrutura das empresas, como: educação e cultura, abordagem à gestão ambiental em empresas e suas mudanças de comportamento diante das demandas gerenciais em seus vários departamentos todos os dias.

Os impactos negativos são inevitáveis em virtude da falta de prática, de consciência e de planejamento.

A necessidade de especialistas aptos a planejar e desenvolver estudos para avaliar e prevenir, através de recursos didáticos e conteúdos específicos voltados para a solução prática de problemas, é uma realidade nas empresas, aliás, este é o primeiro impacto interno sofrido por todos. Compreender a falta de estrutura para a reengenharia das soluções socioambientais leva as pessoas ao desconhecimento das empresas em relação às necessidades de preservação dos recursos naturais. Habilitá-las para o uso dos métodos e técnicas de avaliação e prevenção de suas externalidades são funções estratégicas quando se busca o gerenciamento para a sustentabilidade empresarial; acessar a problematização das principais questões relativas às técnicas de elaboração, avaliação e prevenção de impactos por meio da simulação e análise de casos é indicativo da consciência na implementação da gestão para a sustentabilidade.

1. O contexto sócio-histórico da sustentabilidade empresarial

A Primeira Revolução Industrial (século XVIII) reuniu os conhecimentos de engenharia, administração, matemática/geometria, economia, que promoveram intensa sinergia de interesses entre o Estado (monárquico) e os novos empreendedores privados oriundos da burguesia.

As leis dos Estados nas primeiras Revoluções Industriais promoveram o crescimento das cidades, a expulsão dos povos “improdutivos e ociosos” dos campos, a concentração de fábricas no entorno urbano, a ampliação de grandes obras e gastos governamentais em infraestrutura: a cidade urbano-industrial tornou-se a célula motriz da civilização: uma máquina consumidora de energia, minérios, trabalho extenuante, altamente poluidora, geradora de resíduos e das famosas histórias de contaminação e degradação ambiental arquivadas na literatura sobre o assunto.

A ordem do novo modelo de civilização é de crescimento econômico-monetário com metas crescentes, infinitas.

O sociólogo Max Weber tentou analisar bem essa civilização que buscava o enriquecimento material com bases filosófico-religiosas. Karl Marx ficou aturdido com a atrocidade dos capitalistas, e revelou a ganância deles em acumular riquezas, em seu clássico “O capital”. O intelectual francês Alexis de Tocqueville (século XIX) manifestou-se perplexo com a pujança econômica de Nova York e do povo norte-americano, e com as profundas transformações que ocorreram no crescimento urbano da cidade.

Após o século XVIII nasceu a civilização do Produto Interno Bruto, e a riqueza das nações passou pela acumulação de bens, domínio de matérias-primas e forte industrialização por alguns países do Norte.

Implantou-se o aprofundamento de uma divisão internacional do trabalho: a Europa produzia, transformava, pesquisava, criava e enriquecia, e o resto da humanidade fornecia, comprava, emprestava e tomava o modelo socioprodutivo europeu por paradigma e para ser copiado e seguido.

Ciência e tecnologia passaram a ser produzidas, desde então, nas academias europeias e norte-americanas para a ampliação extrema do lucro e da acumulação de capitais e, conforme diz Meszaros, os capitalistas da época desprezavam ou tornavam inócuas quaisquer discussões ou preocupação derivadas dos pequenos grupos que se intitulavam naturalistas ou ecologistas[1].

Os discursos voltados em prol da preservação ambiental eram duramente rechaçados e associados a pensamentos primitivos, tribais e anticientíficos.

Desde o século XVIII o crescimento econômico a qualquer custo era o mantra que ecoava em todas as empresas, academias e governos. Sustentar ou mesmo questionar tais paradoxos era altamente perigoso, subversivo e digno de isolamento de quem assim ousasse agir. Quantos cientistas ficaram loucos, isolados ou praticaram suicídio desde então?

Nos últimos 200 anos a humanidade passou por enormes transformações, seja na maneira de produzir, utilizar matérias-primas e recursos naturais, ou na forma pela qual as cidades passaram a crescer de modo acelerado.

O crescimento demográfico, considerado lento ao longo de milênios, sofreu grande aceleração após o século XVIII, incentivado pelas descobertas na área da medicina, somadas ao avanço da agricultura e da industrialização mundial.

Essa aceleração tem causado inúmeras preocupações, pois ocorreu e vem ocorrendo em escala muito acelerada.

Observando a figura 1, pode-se ter uma dimensão de tal crescimento: foram necessários milhares de anos para que a humanidade atingisse a marca de um bilhão de habitantes, medida entre 1400 e 1800; todavia, em apenas 150 anos, em 1950 era de 2,5 bilhões de habitantes, e para que atingisse os atuais 6 bilhões de indivíduos levou apenas mais 100 anos. Segundo relatório divulgado pela ONU (Organizações das Nações Unidas), chegará a mais de 9,2 bilhões de habitantes em 2050, fato que já trouxe consigo inúmeros impactos sociais e no meio ambiente, como a imensa pressão pelo uso de água na agricultura, o uso intensivo de madeira e o desflorestamento desenfreado nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina.

Além do crescimento demográfico, o modelo produtivo-industrial provocou impactos ambientais impensáveis e inimagináveis no passado, porém, atualmente, são fatos consumados que se direcionam a um diagnóstico extremamente preocupante sobre a viabilidade futura do atual modelo socioprodutivo, conforme os temas discutidos no exemplo abaixo (figura 2), onde corais e manguezais estão sendo destruídos por alterações físico – químicas das águas oceânicas, excesso de represamento de água doce no mundo por barragens de todas as formas, alterando o curso de rios e de todos os ecossistemas a jusante e vazante das barragens, além do excesso do uso de água pela expansão de áreas agrícolas como o caso da África e a possibilidade que as alterações climáticas e seus efeitos sobre os aquíferos mundiais venham a incentivar conflitos entre as populações das áreas afetadas.

Figura 2. Impactos da Ação Humana na Atualidade

As ações do modelo socioprodutivo atual provocaram inúmeros impactos ambientais de gravidades diferenciadas, porém preocupantes; além dos anteriormente expostos, pode-se afirmar que tal modelo de produção e consumo coloca em ameaça diversos serviços ambientais.

De acordo com pesquisa feita pela ONU em 2005, denominada AEM (Avaliação Ecossistêmica do Milênio), realizada por 1.360 cientistas de 95 países e versando sobre quatro grandes temas (Clima, Biodiversidade, Desertificação e Áreas Úmidas), os resultados expuseram uma situação preocupante[2].

Segundo a AEM, dos 24 serviços prestados pela natureza para a humanidade, considerados cruciais para a sua sobrevivência, 15 serviços (60% do total) estão seriamente afetados, em estágio acelerado de degradação. Diversos deles são afetados pelos dejetos e poluentes gerados pelos processos produtivos nos mais variados setores.

Ainda conforme a avaliação realizada pela ONU, há números considerados críticos e sintomáticos de que mudanças urgentes se fazem necessárias no modelo urbano-industrial e no relacionamento humano com o ambiente global.

As populações mais afetadas pelo estado de degradação dos ecossistemas mundiais são as pobres e miseráveis:

A AEM mostra que os miseráveis sofrem danos significativos, em alguns casos irreversíveis, em itens como água, pesca, regulação climática, controle de enchentes e desastres naturais e epidemias. Para o contingente de pessoas incluídas nessas situações foi criado um novo rótulo: refugiados ambientais. A ONU previu para 2010 a existência de cinquenta milhões de refugiados ambientais[3].

Somados aos desafios ambientais há enormes desafios referentes ao desenvolvimento do homem e à equidade de oportunidades para todos os povos. Há enormes passivos não somente ambientais, como também humanos a serem resgatados.

Os problemas ambientais, como poluição da água e desertificação, causados pelo aquecimento global, incidem negativamente sobre milhares de povos excluídos da modernidade no século XX.

De acordo com Bernardo Kliksberg[4] e Amartya Sen, a falta de água provoca no mundo a perda de 443 milhões de horas escolares, 500 mil mães morrem por ano durante a gravidez ou no parto (uma mulher por minuto), 19 crianças com menos de 5 anos de idade morrem a cada 5 minutos por pneumonia (2 milhões ao ano), 9 milhões de crianças morrem por ano sem completar 5 anos (33% a 50% por desnutrição), e de conformidade com a OMS, 20% das crianças do mundo são desnutridas.

Ainda de acordo com os autores, as mudanças climáticas ocasionadas pelo excessivo lançamento de Gases de Efeito Estufa (GEEs) tem aumentado a manifestação de doenças infecciosas como malária, febre amarela e hantavírus, principalmente nas regiões mais pobres do globo e ocasionando 300 mil mortes/ano.

Acrescido aos desafios ambientais – que repercutem negativamente sobre a qualidade de vida de mais da metade da população mundial – tem-se o desafio da desigualdade de distribuição de renda: houve um aumento da concentração de renda nas quatro últimas décadas para os 20% mais ricos em detrimento dos 20% mais pobres, chegando em 1997 a 78 vezes o volume do primeiro grupo em relação ao segundo.

Atualmente, os 10% mais ricos detêm 85% de todo o capital do mundo, enquanto os 50% mais pobres (3,2 bilhões de pessoas) detêm apenas 1%. A distribuição desigual da riqueza produz inúmeros impactos socioambientais que vão da fome até a geração de garimpos de lixo provenientes da Europa, América do Norte e Ásia, depositados diariamente em países africanos, como Gana.

O desafio da concentração de renda e da pobreza incide nas péssimas condições de qualidade de vida de mais da metade da população mundial. Tal concentração causa enormes pressões ambientais derivadas das estratégias de sobrevivência, como a utilização de madeira de florestas para queima, venda ilegal e construção de habitação; caça predatória de animais para os mercados negros de peles e carnes exóticas, e assim por diante.

Enormes desafios quanto à sustentabilidade da civilização no futuro estão lançados; há uma corresponsabilidade global e interligada entre povos, governos e empresas, e os problemas não podem ser mais enfrentados por apenas um setor de forma isolada, graças à sua complexidade e urgência em soluções que vão do local ao global, da micro à macroescala.

2. A Corresponsabilidade das Empresas pelos Impactos Socioambientais

De acordo com Hart, os impactos socioambientais dos dois últimos séculos não somente foram causados por um modelo socioprodutivo no qual as grandes empresas têm papel crucial, como também tais impactos começarão a incidir sobre o destino delas no futuro[5].

A atuação global das multinacionais veio a gerar não somente renda e empregos por várias regiões do globo, como também impactos sociais e ambientais que começam a ser questionados pela opinião pública mundial. Hart ressalta:

(…) porém, um coro crescente de vozes mostra que o processo de globalização econômica conduzido pelas multinacionais durante a última década também tem um lado obscuro. Por exemplo, as 10 maiores multinacionais têm vendas anuais superiores ao PIB dos 100 países menores e mais pobres do mundo, gerando preocupações com a soberania e a capacidade dos governos de determinar seu próprio destino.

Ainda segundo esse mesmo autor:

Além disso, embora as multinacionais respondam por um quarto da atividade econômica global, elas empregam menos de 1% da força de trabalho mundial, enquanto um terço da população disposta a trabalhar está sem emprego ou subempregada.

Na visão de Hart, as empresas têm atraído as atenções com relação ao seu poder de interferência nas políticas sociais, econômicas e ambientais mundiais, juntamente com o fato de que, apesar de movimentaram 25% do PIB mundial, não fornecem mais do que 1% dos empregos. Tais indicadores sugerem que não obstante o enorme poder de articulação e comando dos territórios, as multinacionais se destacam pela sua capacidade de reter renda e empregar apenas uma elite da força de trabalho mundial[6].

A produtividade alcançada por milhares de empresas aumentou de forma ilimitada a capacidade de produção e circulação de seus produtos, porém houve a redução sistemática da mão-de-obra humana, ou seja, uma produtividade poupadora de empregos.

Paralelamente a este dado, reforça-se o fato de que o modelo produtivo mundial concentrou de maneira incrível o consumo de recursos naturais do mundo, onde, de acordo com relatório da ONU (2002), os 20% mais ricos consomem 86% dos recursos naturais, contra 14% dos 80% mais pobres[7].

Outro fato negativo que repercutiu sobre as empresas do mundo todo, mormente as de maior poder central, refere-se aos acidentes e desastres ambientais ocorridos nas últimas décadas, como o caso PCBs da Monsanto (década de 1960 a 1990), Bophal (Índia, 1984), Vazamento de Chernobyl (1986), Exxon Valdez/ilhas Galápagos (1989), Vazamento de petróleo no Iraque (1991), Vazamento na Petrobrás (Rio de Janeiro, 2000), Shell/organoclorados (Paulínia, 2001), Golfo do México/British Petroleum (2010), e agora o vazamento da usina nuclear de Fukushima, após o terremoto e tsunamis de enormes proporções que atingiram o Japão em março de 2011.

Expostas tais questões, fica evidente a corresponsabilidade não somente de governos e da sociedade civil, como também das empresas em reverter o preocupante quadro de evolução dos problemas sociais e ambientais no mundo. Hart elucida:

O empreendimento global sustentável representa, assim, o potencial para uma nova atitude do setor privado em relação ao desenvolvimento que cria negócios sustentáveis e simultaneamente eleva a qualidade de vida dos pobres do mundo, respeita a diversidade cultural e conserva a integridade ecológica do planeta para as gerações futuras. Para fazer tal contribuição social e, ao mesmo tempo, criar valor para os acionistas, será preciso muita imaginação e um novo enfoque para a estratégia de negócios.[8]

A necessidade de transformações na forma de produzir, consumir e promover o desenvolvimento humano para além das forças de mercado torna-se um imperativo para as próximas décadas.

Peter Senge[9] defende que há uma “revolução decisiva” em curso, rumo a um novo modelo de desenvolvimento, sustentável e promotor do desenvolvimento humano em escala mais ampla.

Para o autor, é preciso observar todo o “sistema da Era Industrial” com novos olhos, onde a economia não seja o tema mais importante entre as nações, nem contenha todos os demais sistemas internos e comandados por si, consoante a figura 3. Tornou-se necessária a conscientização de que não é possível crescimento econômico e populacional num sistema de recursos naturais finitos, e que as empresas necessitam criar um modelo de desenvolvimento orientado por conceitos baseados na sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Senge cita Ray Anderson (CEO, Interface) quando diz que “a economia é subsidiária integral da natureza, não o contrário”, e acrescenta que “do mesmo modo, não pode haver economia rica sem uma ordem social estável e vibrante – basta perguntar aos empresários que tentam fazer negócios em sociedades corruptas, anêmicas ou extremamente pobres”.

As empresas, nesse contexto, tornam-se não somente corresponsáveis pelos problemas socioambientais, como também contribuem com boa parcela das soluções presentes e futuras para tais problemas.

É preciso assumir que a responsabilidade pela solução dos problemas se inicia pela sensibilização quanto à sua gravidade e pelo papel conscientizador das empresas com relação aos diversos públicos com que se relacionam (stakeholders).

Nesse universo e leque de ações transformadoras em potencial se insere a educação ambiental.

De acordo com o novo paradigma para uma sociedade sustentável proposto acima por Peter Senge, a geração de produção e riqueza pelas empresas deve se reportar diretamente à melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade na qual a empresa está inserida. Economia e sociedade estariam subordinadas ao bom funcionamento e equilíbrio do meio ambiente, do qual dependem totalmente.

Para Senge, tanto a sociedade quanto as empresas devem se responsabilizar e ser partes integrantes e internas do grande ecossistema global, diferentemente do modelo atual onde o modelo econômico e produtivo submete ao seu comando e às suas prioridades a sociedade e o meio ambiente[10].

Hart e Milstein afirmam que uma empresa que passa a focar o desenvolvimento de produtos e serviços com foco na melhoria das condições da qualidade de vida da sociedade como um todo, somado à produção de produtos e serviços que possibilitem a inclusão das classes sociais menos privilegiadas (BOPs, ou Negócios para a Base da Pirâmide), como também voltada à preservação dos recursos naturais, constrói uma condição ideal para a criação de valor sustentável, ou seja, agrega à sua marca muito mais credibilidade e aceitação pública. É vista como uma empresa que contribui para a qualidade de vida no planeta e em sua comunidade, tornando-se parcialmente responsável pelas soluções dos graves problemas sociais vivenciados no Brasil, e também com relação a problemas ambientais sérios, como os efeitos climáticos locais do aquecimento global, a perda de aquíferos contaminados, ou a perda da biodiversidade acelerada em todas as regiões do País[11].

3. O surgimento do movimento pela sustentabilidade empresarial

O movimento atual entre as grandes e médias empresas em todo o mundo e no Brasil, rumo ao paradigma da sustentabilidade, não foi traçado de forma linear e harmônica, mas sim num intenso debate entre sociedade civil, governos e empresas ao longo das últimas décadas, somados aos impactos históricos da evolução do sistema econômico mundial sobre as sociedades e o meio ambiente.

Desde a Primeira Revolução Industrial (Inglaterra, séc. XVIII), passando pelas revoluções do petróleo e do motor a combustão (Estados Unidos, séc. XIX), o modelo de produção capitalista foi aprimorando suas estratégias de ampliação de mercados e investimentos maciços na criação de novos produtos de forma exponencial.

Há um extenso caminho percorrido pelas empresas e pelas sociedades ao longo da história, que acabou por despertar governos, cidadãos e empresários ante os impactos produzidos, e aqui se expõe um breve histórico dessa evolução.

4. Os Desafios Atuais do Desenvolvimento Sustentável-Empresarial

O crescimento do comércio e do consumo mundial se deu de forma exponencial em todo o século XX, produzindo uma verdadeira “revolução do consumo” ou uma “cultura do consumo”, que repercutiu com seus impactos mais evidentes nas últimas décadas do século XX.

Galbraith, em seu livro A era das incertezas, relata que as grandes empresas manuseiam os preços e moldam os gostos do consumidor “não tão soberano”; portanto, o consumo, mola-motriz do sistema produtivo, veio sendo incentivado e induzido de forma maciça e intensiva por essas empresas[12].

A manipulação e a alienação induzidas pelo modelo de consumo disseminaram uma apatia pelo questionamento da validade e do sentido de se viver em uma sociedade voltada às aspirações do mercado.

Para Bauman, há uma espécie de “anomia” na sociedade, que passou a evitar questionar os pressupostos pelos quais está vivendo:

(…) o que está errado com a sociedade em que vivemos, diz Cornelius Castoriadis, é que ela deixou de se questionar. É um tipo de sociedade que não mais reconhece qualquer alternativa para si mesma, e, portanto, sente-se absolvida do dever de examinar, demonstrar, justificar (e que dirá provar) a validade de suas suposições tácitas e declaradas.[13]

Paralelamente a essa “anomia” da sociedade, a ampliação dos mercados mundiais e o desenvolvimento de novos processos produtivos e de novas tecnologias vieram ampliando de forma exponencial a produção, o consumo, e consequentemente a geração de resíduos e de impactos socioambientais derivados de tal crescimento.

Senge, ao analisar que as Revoluções Industriais não trouxeram somente uma expansão da qualidade e expectativa de vida, do crescimento dos indicadores econômicos e do consumo ao longo dos três últimos séculos, constatou que elas acumularam centenas de graves problemas de ordem social, econômica e ambiental em todo o planeta.[14]

O que há em comum desse autor com os demais autores é o fato de observarem que os serviços ambientais e as matérias-primas provenientes da natureza sofreram intenso desgaste e degradação com o passar dos séculos. Entre os principais impactos ambientais listados por Senge se destacam:

a)      o aumento exponencial da produção de resíduos industriais, sendo que somente a economia dos Estados Unidos consome 100 bilhões de toneladas de matéria-prima ao ano, das quais 90% terminam como resíduos finais (o equivalente a uma tonelada de resíduos por pessoa/dia);

b)      produção ilimitada de resíduos tóxicos por consumidores e comércio: em 2008 emitiu-se 8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera terrestre, derivados da queima de combustíveis fósseis para transporte, aquecimento e uso de eletricidade;

c)      uso intensivo e acelerado de recursos não renováveis, dos quais uma boa parte está sendo extraída em proporção infinitamente superior à sua reposição natural. Elementos como o petróleo, diversos metais e o carvão caminham para o seu esgotamento nas próximas décadas;

d)     recursos renováveis: mais de 1/5 da população do planeta não possui acesso à água potável, paralelamente ao crescimento de contaminação dos aquíferos por pesticidas, agrotóxicos e excesso de fertilizantes despejados no solo. Outro fato grave é que, nos últimos 50 anos, mais de 1/3 das florestas mundiais desapareceu.

A expansão das atividades das empresas ligadas ao agronegócio provocou impactos imensuráveis nas áreas de biodiversidade mundial. De acordo com a Avaliação Ecossistêmica do Milênio (ONU), um terço dos ecossistemas que prestam serviços essenciais à manutenção da vida em todo o mundo sofre “declínio significativo”, enquanto outro um terço está ameaçado.[15]

Os impactos sentidos na atividade industrial mundial não são somente sentidos nos ecossistemas, e de acordo com a Avaliação Ecossistêmica do Milênio, há além do declínio dos ecossistemas e da biodiversidade uma queda da qualidade de vida das populações mundiais ligadas ao bem-estar psíquico e espiritual: a ansiedade, o excesso de trabalho, o estresse, o aumento do medo, raiva, violência juvenil e urbana trazem no seu bojo o sintoma de que o excesso de competição, a corrida por desempenhos maiores nas vendas de produtos, o excesso de afazeres em uma sociedade cada vez mais ligada ao mundo do trabalho e do consumo têm causado enormes desconfortos e males intelectoespirituais para o homem moderno.

Ao lado do desconforto psíquico sofrido por toda a sociedade mundial nos últimos séculos, a evolução econômica proporcionada pela expansão ilimitada das empresas não gerou a prometida distribuição de renda e sublimação da humanidade, tão aspiradas pelos economistas clássicos dos séculos XVIII e XIX.

A distribuição da riqueza com origem na produção não acompanhou as promessas feitas por industriais, intelectuais e governos nos últimos séculos.

Bauman[16] acentua que as riquezas de Roma no séc. I, da China no XI, ou da Índia no século XII não eram diferentes das riquezas da Inglaterra pouco antes da 1ª Revolução Industrial. No século XVIII a Inglaterra não superava em 30% a riqueza per capita média das populações da Índia, China e das nações do continente africano. Em apenas dois séculos a riqueza britânica superava em cinquenta vezes a riqueza da China, Índia e nações africanas.

Essa concentração de renda, que hoje se manifesta na exclusão clara de mais de dois bilhões de pessoas vivendo nas faixas de miséria, gerou inúmeros desconfortos e responsabilização dos protagonistas de tal injustiça social mundial: governos e políticos não escaparam das críticas, porém as empresas não ficaram dispensadas da sua quota de responsabilidade.

Nos anos de 1960/1970 surgiu na Inglaterra uma onda de interesse entre as empresas e sociedade denominada Social and Ethical Accounting, auditing and Reporting (SEAAR), pela qual havia um interesse histórico por uma maior transparência e ética nas empresas, esperada pela população britânica na época.

O surgimento do movimento da SEAAR, juntamente com a aparição do conceito de stakeholder (partes interessadas) na Câmara de Comércio nos Estados Unidos, motivou um grande movimento por parte de inúmeras empresas em todo o planeta para considerar a preocupação com a opinião pública e não somente com o seu consumidor direto.

A partir de então a imagem da empresa passou a ser desenvolvida não apenas junto ao seu mercado consumidor, mas também junto à comunidade onde a empresa se localiza, e nas comunidades distantes afetadas indiretamente por sua cadeia produtiva e de distribuição.

Vários pesquisadores buscaram classificar o conceito de stakeholder, tais como Freeman e Ree:“A stakeholder in an organisation is (by definition) any group or individual who can affected by the achievements of the organisation´s objectives.” (Suportadores de risco voluntários ou involuntários).[17]

A evolução do conceito de responsabilidade das empresas diante dos impactos causados ao meio ambiente e aos seus stakeholders veio conduzindo ao longo das últimas décadas as empresas a se tornarem responsáveis por todas as cadeias de ações vinculadas à sua produção e comercialização de bens e serviços, ora por pressões da própria sociedade, vista como impactada pelas ações das empresas, ora por pressões dos governos, pressionados pela sociedade e pelos órgãos de fiscalização ambiental.

Somadas a tais pressões, inúmeras iniciativas tomadas pelas próprias empresas ocorreram, demonstrando certa preocupação ética com as questões sociais e ambientais do mundo, motivadas por diversos fatores morais, financeiros e pessoais de membros das diretorias e CEOs.

Outro fato motivador que chamou a atenção para as mudanças nas formas pelas quais as empresas se comportam diante de seus públicos foi a publicação no Brasil e no mundo, nos últimos dez anos, dos rankings das empresas mais admiradas por seus modelos de gestão e diálogo com os stakeholders e pelo tratamento dado ao meio ambiente.

No Brasil, algumas revistas lançam anualmente tais rankings como: Carta Capital (as mais admiradas), Exame (as 500 melhores do ano), Planeta Sustentável (Editora Abril), Ideia Sociambiental.

Os rankings acabam expondo na mídia as melhores práticas, fato que colabora para a formação de uma nova opinião pública, preocupada com as questões sociais e ambientais da atualidade, e que passa a ter cada vez mais em seus critérios de compras e consumo a escolha por marcas e produtos que tragam consigo tais preocupações.

5. Bases e Fundamentos da Sustentabilidade Empresarial

Desde a 1ª Revolução Industrial (século XVIII, na Inglaterra), a empresa sempre foi sinalizada como o local privilegiado da transformação de matérias-primas e produção de produtos que visassem a atender às demandas que iam surgindo entre os países, diante de uma sociedade em constante transformação e mudança.

Inicialmente a responsabilidade social da empresa estava vinculada à defesa do direito da livre iniciativa dos indivíduos de constituírem uma empresa e exercerem atividades econômicas que lhes trouxessem lucros e riqueza.

As empresas podiam contratar empregados, buscar insumos e matérias-primas de fornecedores e dispor dos meios de produção que oferecessem maior eficiência para que pudessem aumentar as vendas, ampliassem os mercados e consequentemente os lucros. Ser uma empresa responsável na época significava ser lucrativa, suprir os mercados de produtos, sem se importarem com seus impactos sobre os consumidores e o meio ambiente.

A escola clássica da economia (final do século XVIII) conseguiu apreender bem as aspirações e pensamentos da época com Adam Smith, em A riqueza das nações, e David Ricardo, em Doutrina Geral do Valor e da Distribuição, porém o foco estava construído na acumulação ilimitada de bens e na busca de ampliar os mercados e a produção com base nas leis que equilibravam e davam sustentabilidade financeira ao mercado pelas regras do equilíbrio da oferta e da procura, da especialização da produção entre as nações e da teoria do valor de um determinado bem. Ficavam de fora os problemas sociais gerados pela implantação do modelo urbano-industrial que estava surgindo com a intensa migração campo-cidade, com o aumento descontrolado de subúrbios, moradias precárias e insalubres, ou pelos problemas sociais derivados da transformação do modo de vida de milhares de famílias rurais em proletários urbanos.[18]/[19]

Também ficava de fora qualquer discussão sobre os intensos impactos ambientais do modelo de produção industrial, que se utilizava de fontes energéticas não renováveis como carvão mineral e petróleo, e eliminava resíduos industriais de forma indiscriminada nos recursos hídricos, nos solos e atmosfera. Um dos impactos mais famosos foi o nível de poluição do rio Tâmisa em 1858, que acabou por suspender as sessões do Parlamento britânico devido ao mau cheiro do rio, que tinha suas águas consideradas não potáveis desde 1610.

A responsabilidade sobre a qualidade de vida de trabalhadores e consumidores durante o século XVIII até a primeira metade do século XX estava restrita às ações de sindicatos de trabalhadores, que se utilizavam de recursos de diálogo, como as greves, para sensibilizar as empresas a remunerar dignamente seus funcionários.

Em meados dos anos 1960 o economista Milton Friedman (EUA) declarou que a responsabilidade social das empresas devia estar focada na maximização dos lucros, remuneração dos acionistas e obediência às leis, tornando o debate restrito e fechado a questões meramente burocráticas por parte das empresas, como remunerar seus empregados por aquilo que a lei especificava. Fazer ações filantrópicas e atuar junto à comunidade, para Friedman, deveria ser responsabilidade do indivíduo e não da pessoa jurídica; portanto, para ele, quaisquer ações filantrópicas dedicadas ao bem-estar da comunidade poderia afetar o desempenho da empresa, que deveria estar focado na eficiência produtiva e na constante maximização dos lucros[20].

Um dos primeiros teóricos a discutir o papel social, cultural e político das empresas foi Peter Drucker, o qual expôs que os empresários são uma importante liderança na sociedade, e assim podem impor valores como responsabilidade e integridade pessoal.[21]

Uma das principais críticas de Drucker à visão excessivamente financeira das empresas era o fato de que tal premissa as levaria inevitavelmente à busca de lucros cada vez maiores a curto prazo, comprometendo a sua sobrevivência a longo prazo, e a sobrevivência do público que participava direta ou indiretamente da sua cadeia produtiva, como empregados e fornecedores.

O autor via a possibilidade de converter responsabilidades da empresa com a comunidade em oportunidades de negócio. Tal visão era considerada de vanguarda nas décadas de 1960/1970, época em que meio ambiente, pobreza, saúde e desenvolvimento humano eram tidos como questões marginais e desnecessárias nas discussões sobre estratégia empresarial, e ignoradas nos planejamentos estratégicos das empresas em todo o mundo. Pode-se afirmar que Drucker inaugurava com sua discussão o conceito de Responsabilidade Social-Corporativa e contrapunha a sua crítica à construção de Friedman.

Simultaneamente aos discursos de Drucker, organizações como a Câmara Americana de Comércio propunham que as empresas desenvolvessem práticas de fazer auditorias e balanços sociais para expor à opinião pública suas ações voltadas aos seus públicos de interesse (os stakeholders).

De acordo com Zadek, haveria seis razões para se conduzir uma política empresarial voltada à auditoria social[22]:

  1. Saber o que está acontecendo;
  2. Entender o que as pessoas querem;
  3. Falar às pessoas o que está acontecendo;
  4. Fundamentar lealdade/compromisso;
  5. Embasar tomada de decisão;
  6. Melhorar o desempenho geral.

Na década de 1990, diversos autores passaram a discorrer sobre responsabilidade social-empresarial e sobre a sustentabilidade na empresa, incorporando as discussões e preocupações ambientais trazidas pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD, Rio, Eco – 1992).

A ascensão das discussões mundiais e a ampliação das pesquisas internacionais sobre o estado do meio ambiente no planeta gerou um clima de sensibilização quanto às questões ambientais num aspecto global.

O debate ambiental acabou abalando os governos, pressionados pela opinião pública e pelo lobby de algumas empresas.

As empresas e governos passaram a perceber que o modelo de desenvolvimento urbano-industrial proposto, baseado na acumulação infinita de riquezas materiais, era inviável para toda a humanidade, e os efeitos de tal modelo começaram a repercutir sobre o esgotamento dos recursos naturais, pondo em xeque o próprio sistema e sua continuidade futura: o que estava sob ameaça não era somente o lucro das grandes corporações, mas a continuidade da espécie, e esta leitura foi percebida gradativamente pelos acionistas e CEOs mais sensíveis ao assunto.

Em A revolução decisiva, Peter Senge expõe que no final do século XX empresas de diversos países do mundo, impulsionadas por seus stakeholders, passaram a buscar novos modelos de desenvolvimento focados no paradigma do desenvolvimento sustentável.[23]

O autor relata o caso de uma empresa sueca, onde o CEO foi diretamente sensibilizado pelos debates realizados na CNUMAD do Rio em 1992, e resolveu regê-la a partir de princípios de gestão que buscassem, em conjunto com sua diretoria e com seus stakeholders, estratégias voltadas para a sustentabilidade:

Per Carstedt é dono de uma grande concessionária Ford no norte da Suécia, empresa familiar fundada por seu pai. Depois de morar vários anos no Brasil, onde participou da Eco-92, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, primeira reunião de cúpula global sobre meio ambiente, realizada em 1992, no Rio de Janeiro, ele se sentiu profundamente imerso no que denominou “questões do panorama geral”.

No caso da concessionária Ford na Suécia, presidida por Per Carstedt, houve um engajamento pessoal de seu CEO na introdução do carro movido a etanol, fato que ocorreu nos anos 1990 e que transformou a Suécia em um marco referencial no uso de combustíveis renováveis. O lobby e a atuação de Per Carstedt junto à sua diretoria, dirigindo seu formato de governança de forma democrática e em parceria com vários stakeholders como a própria Ford (EUA/Detroit), governos provinciais na Suécia e simpatizantes do etanol de diversas procedências (incluindo gestores no Brasil), acabaram por conduzir seu modelo de negócios para ser um marco referencial de Governança Corporativa voltada a estratégias de sustentabilidade empresarial na Suécia.

Em 1995 foi criada na Inglaterra a AccountAbility, uma ONG destinada a promover a transparência na prestação de contas por parte das empresas, organizações da sociedade civil e dos governos[24].

A Accountability tornou-se um marco referencial desde então na disseminação de boas práticas de Governança Corporativa e prestação de contas por parte das instituições públicas e principalmente particulares no mundo.

No Brasil, a busca por Governança Corporativa por parte das empresas sofreu grande impacto positivo com a criação do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, inspirado nos princípios de Governança Corporativa da Accountability[25].

O instituto possui atualmente mais de 1.200 associados, cujo foco é a promoção de palestras, debates, congressos, treinamentos e formação de redes entre profissionais, atuando também na publicação de livros, cadernos e publicações periódicas focadas no apoio e incentivo às práticas de Governança Corporativa no País.

A prática de “accountability” pode ser considerada a marca registrada para a Governança Corporativa, e deriva no estudo da dicotomia existente entre a teoria da agência e a teoria das partes interessadas.

Quando se discute sobre a dicotomia em Governança Corporativa, fala-se sobre a evolução da disputa entre os dois principais objetivos das empresas: a maximização do valor e lucro para o acionista e sua responsabilidade social para com seus públicos. Há, de acordo com as discussões sobre tal tema, uma dicotomia e um desencontro entre os interesses dos acionistas (stokeholders) e os demais públicos (stakeholders). Tais dicotomias e desencontros criam dificuldades para o desenvolvimento da democracia e governança nas empresas, tendo em vista que o acionista deseja apenas otimizar a remuneração de seu capital, e as estratégias e ações necessárias para isto nem sempre requerem uma discussão ampla e geral sobre os objetivos das empresas, e sim ações pragmáticas voltadas à criação de produtos e serviços que atendam às novas demandas do mercado. Todo e qualquer outro tema é secundário e pode tornar (de acordo com o acionista) o processo decisório e produtivo moroso, o que pode trazer prejuízos às empresas.

Neste contexto, a teoria da agência, de Jensen & Meckling, e a teoria das partes interessadas, de Freeman, formam o arcabouço científico das noções de responsabilidade socioempresarial e Governança Corporativa.[26]

Outro fato na década de 1990 que incentivou maior transparência e a busca por Governança Corporativa e responsabilidade foram os inúmeros “escândalos corporativos ocorridos nos EUA”, apontados em 2006 pelo documentário Corporation, de Marc Arbor.

Entre tais escândalos, destacaram-se o caso Enron e a queda na Arthur Andersen, sendo que nesta houve uma repercussão bastante significativa na área de contabilidade e na formulação de sua ética profissional.

Esses escândalos corporativos geraram nos Estados Unidos e Reino Unido intenso movimento nos governos, dos quais se originou o lançamento da Lei Sarbanes-Oxley, considerada uma ação fundamental na construção de boas práticas para a Governança Corporativa entre as empresas anglo-americanas[27].

O tema tomou tal vulto na opinião pública mundial, que acabou por incidir em sua incorporação pela OCDE, através da revisão dos Princípios de Governança Corporativa, tornando-se um marco na construção, discussão e disseminação de boas práticas de Governança Corporativa e Responsabilidade Social-Empresarial por todos os países signatários e participantes dessa organização voltada ao comércio mundial.

Em 2006 a União Europeia (Comissão Europeia) publicou um documento com o título “Implementação da Parceria para o Crescimento e o Emprego[28]: Tornar a Europa um Polo de Excelência em Termos de Responsabilidade Social nas Empresas”; o documento expôs ao Conselho e ao Comitê Econômico e Social europeu, em março de 2006, o apoio a uma aliança entre todos os países signatários da União Europeia, no sentido de apoiarem a implantação de Responsabilidade Social-Empresarial nas empresas.

O documento, malgrado não ser um instrumento jurídico, propõe-se a incentivar a adoção da RSE pelas empresas europeias, no propósito da mobilização de recursos e dos stakeholders, em prol do desenvolvimento sustentável, do crescimento econômico e da criação de empregos.

De acordo com o documento, a Comissão Europeia explicita que “continua dando muita importância ao diálogo com e entre todos os stakeholders” e reconhece que “a RSE não poderá generalizar-se sem o apoio ativo e as críticas construtivas dos stakeholders”.

Outro movimento importante na construção da Responsabilidade Social-Empresarial e da Governança Corporativa foi a criação do WBCSD (World Business Council for Sustanable Development), fundado nas vésperas da Cimeira da Terra de 1992, no Rio de Janeiro, envolvendo empresas em questões de sustentabilidade e dando-lhes voz no fórum.

A criação do conselho, composto por mais de 200 membros, representantes de 35 países e mais de 20 setores industriais, passou a concentrar suas ações de RSE em quatro grandes temas: Energia e Clima, Desenvolvimento (com foco em sustentabilidade), o papel dos negócios e Ecossistemas. A partir de então é uma referência na defesa da Governança Corporativa focada na ação responsável das empresas com a sociedade e o meio ambiente.

A adesão mundial e brasileira à Governança Corporativa e Responsabilidade Social-Empresarial caminha em alguns países de forma mais acelerada, e em outros de forma mais lenta. A velocidade em que o processo se dá em cada região é determinada fortemente pelos papéis da opinião pública, da cultura local e de sua sensibilidade para as questões sociais e ambientais: daí a função crucial da educação ambiental como elemento impulsionador de transformações nesse processo.

 


[1] MÉSZÁROS, István. Para além do capital. São Paulo: Bontempo, 2006.

[2] AEM – Avaliação Ecossistêmica do Milênio. Disponível em: <http://bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story /2005/10/051011_refugiadosro.shtm>. Acesso em dez. de 2010.

[3] Idem.

[4] KLIKSBERG, Bernardo & SEN, Amartya. As pessoas em primeiro lugar: a ética do desenvolvimento e os problemas do mundo globalizado. São Paulo: Cia. das Letras, 2010, pp. 8-9.

[5] HART, Stuart L. O Capitalismo na Encruzilhada. Prólogo 14. São Paulo: Artmed, 2006, p. 42.

[6] Idem.

[7] RELATÓRIO DA ONU, 2002. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/03122002 relatorio_onu.shtm>. Acesso em 12 de jan. de 2011.

[8] HART, op. cit.

[9] SENGE, Peter. A revolução decisiva: como indivíduos e organizações trabalham em parceria para criar um mundo sustentável. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2009, p. 54.

[10] Idem, pp. 101-2.

[11] HART & MILSTEIN. Criando valor sustentável. Revista RAE Executivo, vol. 3, nº 2, maio/jul. 2004.

[12] GALBRAITH, J. K. A era da incerteza. São Paulo: Thomson Pioneira, 2008.

[13] BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

[14] SENGE, op. cit., pp.101-2.

[15] BOTTINI, Renata Lúcia. Ecossistemas e bemestar humano: estrutura para uma avaliação. Conselho de Avaliação Ecossistêmica do Milênio. Relatório do Grupo de Trabalho da Estrutura Conceitual da Avaliação Ecossistêmica do Milênio. São Paulo: Senac, 2005.

[16] BAUMAN, op. cit.

[17] ARAÚJO JR., José Pires de. Análise de Stakeholders: um estudo exploratório. Disponível em: <http:// revistaeletronica.sp.senai.br/index.php/seer/article/viewFile/30/41>. Acesso em 25 de jan. de 2011.

[18] SMITH, Adam. A riqueza das nações.(completar)

[19] RICARDO, David. Doutrina geral do valor e da distribuição.(completar)

[20]DRUCKER, Peter. A administração na próxima sociedade. São Paulo: Nobel, 2001.

[21] Idem.

[22] ZADEK, Simon. Mediating Sustainability: Growing Policy From The Grassroots. KUMARIAN: PR, 1998.

[23] SENGE, op. cit.

[24]ACCOUNTABILITY. Disponível em: <http://www.accountability.org>.

[25]INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. Disponível em: < http://www.ibgc.org.br/>. Acesso em 15 de fev. de 2011.

[26]JENSEN, M. C. & MECKLING, W. H. Theory of the firm: managerial behavior agency, costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, v. 3, n. 4, pp. 305-360, 1976.

[28]IMPLEMENTAÇÃO DA PARCERIA PARA O CRESCIMENTO E O EMPREGO. Disponível em: <http://europa.eu/legislation_summaries/employment_and_social_policy/growth_and_jobs/index_pt.htm>. Acesso em 12 de abr. de 2011.

Facebooktwittergoogle_pluslinkedinby feather
Facebooktwittergoogle_pluslinkedinby feather

1 Comentário

  1. O êxodo rural está mais presente que nunca em nossas vidas, a família rural saiu do campo e isso é fato em todo o desde o engano da revolução industrial, quando foram prometidos falsos benefícios de ter um emprego e viver na cidade.

    Hoje nosso grande desafio – e objetivo – é combater o êxodo rural e trazer de volta as famílias para o campo de maneira digna, por meios de incentivo à produção rural, formando assim um maior número de agricultores familiares. O único problema é que o homem, depois de experimentar a vida na cidade, não quer mais ter como sua única amiga a enxada. É aí que nós entramos.
    Com acesso à informação, o novo agricultor familiar tem os mesmos benefícios dos grandes latifundiários, ou seja, a tecnologia e o conhecimento andam ao seu lado, e não somente a enxada e o financiamento do plantio, colocando em risco suas terras ano após ano, colheita após colheita.

    Com uma nova visão, o fazendeiro Rogerio Festa, da FAZENDA PROAGRO ( http://fazendaproagro.com.br ) acredita que o agricultor familiar moderno não precisa mais da enxada como parceira, mas sim de um engenheiro agrônomo, um economista, um administrador, enfim, profissionais que juntos possam extrair o máximo da terra com o melhor custo benefício, maiores rendimentos de maneira orgânica e consciente. É isso que a FAZENDA PROAGRO oferece.

    “Somos a geração saúde e podemos fazer a diferença trazendo o homem de volta ao campo de maneira digna e moderna, desta vez com acesso à internet, um mundo de informações e apoio da tecnologia e estudiosos do ramo, garantindo um cultivo seguro, protegido com agricultura orgânica e sintropia da natureza.”, disse Rogerio Festa.

    Na cidade de Almería, na Espanha, tudo é cultivado em estufas, e de lá vem todo nosso suporte técnico para trazer ao Brasil o melhor do agronegócio em cultivo protegido do planeta.

    A Fazenda Proagro é o mundo dos agronegócios para o pequeno agricultor, hoje somos 531 famílias no campo, amanhã seremos 5 milhões.
    O mundo dos agronegócios ao alcance de todos.

Deixe uma resposta

O ISIE

O Instituto de Sustentabilidade, Inovação e Ensino (isie) nasceu em 2008, questionador dos procedimentos de ensino e aprendizagem tradicionais. Localizado em São Paulo, Campinas, ministra cursos de pós-graduação e aperfeiçoamento, além de projetos de pesquisas e consultorias.
Saiba mais

Compartilhe

Onde estamos

ISIE Administrativo
Rua Aurílio de Souza, 172 - Hipica
13092-634 Campinas – SP – Brasil
Telefones: (19) 4107-0607
isie@isie.eco.br